Thays Kisuki. Helô D’Angelo.
Notas Introdutórias
Canção é um capítulo composto por 102 quadrinhos em tons de preto e branco. Eles contam a relação da canção Maria Bethânia e demais obras com cada etapa da vida de Capiba. Os principais personagens e cenários estarão descritos abaixo em ordem de aparição:
Marinheiros: Homens em sua maioria corpulentos e atléticos. Usam uniformes brancos da corporação com boinas com emblema frontal de âncora, que é o símbolo da marinha. Camisa de manga longa, acompanhado de longo lenço com nó no pescoço e calça;
Operário: Homem de estatura mediana, de boné, macacão escuro e camisa de gola polo e botina. Seu rosto é arredondado e com uma barba rala por fazer;
Capiba: Ele é um senhor de pele clara, estatura mediana e pouco corpulento. Possui bigode volumoso branco, é calvo com cabelos brancos médios e lisos nas laterais. Seus olhos são pequenos e pouco amendoados, acompanhados de óculos de grau com armação retangular;
José Menezes: é um senhor de pele clara, de cabelos brancos curtos com entradas nas laterais da cabeça, seu queixo é acompanhado de leve papada. Usa camisa de gola pólo;
Josefa: Irmã mais velha de Capiba. Ela é uma jovem mulher alta, magra e esbelta. Tem os cabelos longos e escuros, usa camisa social de manga longa e saia;
Pai de Capiba: ele é um senhor alto, pouco corpulento, tem os cabelos lisos e curtos penteados para trás. Sua testa é alta e o nariz pontiagudo. Usa camisa social acompanhada de gravata;
Guerra-Peixe: ele é um senhor corpulento, estatura mediana, possui pele clara, rosto arredondado com papadas. Seus cabelos são curtos, lisos e escuros. Usa camisa social de mangas longas;
João Suassuna: Ele é um jovem senhor alto, magro e de pele clara. Tem os cabelos curtos escuros e lisos e usa terno claro com gravata escura;
Zezita: A esposa de Capiba. Ela é uma mulher de pele clara, estatura mediana, pouco corpulenta. Seu rosto de sobrancelhas finas, olhos pequenos e nariz pontuado corado, além das bochechas também pouco coradas e lábios carnudos. Possui os cabelos curtos e escuros na altura da nuca, com penteado de movimentos para trás;
Repórter: É um jovem rapaz de pele clara, esbelto, cabelos loiros lisos e curtos com grande topete frontal. Traja um terno preto.
Página de título: Fundo preto com ilustrações de contornos e traços em cinza claro. Dividido em Quadrinhos, mostra a cena de um bar onde marinheiros colocam suas moedinhas na radiola para escutar a canção Maria Bethânia, composta por Capiba.
Folha de rosto:
Descrição da imagem de fundo: Em traços finos pretos e preenchimento cinza, em marca d’água, Capiba sorridente dança em meio a multidão com máscaras e guarda-chuvas de frevo, que compõem o Bloco Madeira do Rosarinho.
Thaïs Kisuki é designer editorial e integrante do podcast de política MIDCast. Formada em Arte e Mídia pela UFCG, iniciou a carreira de quadrinista em 2009, quando criou a personagem Olga, a sexóloga. Publicou a revista “Sanitário”, com o Coletivo WC de quadrinistas paraibanos, e tirinhas nos jornais A União, Folha de S. Paulo e O Beltrano. Foi colaboradora do Lady’s Comics e Políticas. Trabalhou na Funesc como Chefe o Núcleo da Gibiteca, onde idealizou atividades, como o “Quadrinhos Intuados”.
Helô D’Angelo é ilustradora e quadrinista, vencedora dos Troféus HQMix e Angelo Agostini, e do Prêmio Carolina Maria de Jesus. Autora de “Dora e Gata” (2019), “Pequeno Manual de Defesa Pessoal” (Bebel Books, 2022), “Nos Olhos de Quem Vê” (Harper Collins, 2022) e “Isolamento” (2020), finalista do HQMix e do CCXP Awards em 2021. Coeditou “Boy Dodói” (Bebel Books, 2023) e esteve em coletâneas, como Ragu, Harvi e Catálogo Cómic HQ Brasil. Em 2024, lança “Só com a Gente” (Bebel Books), versões do “Pequeno Manual” em espanhol e birmanês e “Cuscuz Surpresa”, com Daniel Cesart.
Q1- É noite no Recife. A lua minguante com o céu estrelado dá lugar a um dos casarões do Recife, Possuindo três andares, em seu primeiro andar funciona um bar, com sua icônica porta de saloon. Alguns frequentadores estão próximos da entrada.
Q2- Um marinheiro, com cachimbo aceso e punho fechados entra no bar e encara uma radiola. Dois cartazes colados na parede, um à esquerda e um à direita. O da esquerda informa: Radiola: fichas no caixa. O da direita informa: FIADO só amanhã!
Q3 a Q14 - Coloca uma, duas, três, quatro, cinco… Onze fichas na radiola;
Q15 a Q18 - Toca a canção na radiola. O semblante do marinheiro se enche de paixão. Ele dança próximo a uma mesa com seus colegas de corporação. Se senta em uma mesa e pega uma caneca de chopp. Um operário entra escancarando a porta. O marinheiro continua enamorado com a canção que diz: Maria Betânia, tu és para mim, Senhora do engenho…
Q19 a Q23- Como rosto em lágrimas, o marinheiro acompanha a canção. O operário se aproxima dele e o acompanha ao declamar a canção. O marinheiro se levanta e em sentimento de insulto, desfere um soco no rosto do operário. O operário, por sua vez, lhe devolve o soco. Uma briga se generaliza com socos, pontapés, enforcamentos, mesas viradas, garrafas quebradas, enquanto a canção diz: …Maria Betânia, quanta tristeza sinto no peito, só em pensar, meu sonho está desfeito.
Capiba: Acho que foi a primeira vez que minha música provocou tamanho aborrecimento a alguém.
Q24- Narrador: 28 de outubro de 1904, nasce Lourenço da Fonseca Barbosa. O nono dos treze filhos de Maria Digna da Fonseca Barbosa e Severino Atanásio de Souza Barbosa.
Capiba é um bebê de cabelos lisos curtinhos, rostinho redondo e bochechas rosadas. Está sentado com os joelhinhos dobrados e os pezinhos que se tocam pela sola. Usa babador e macacãozinho de pintinhas pretas.
Q25- Capiba: “Capiba” veio do meu avô. Ele era um indivíduo muito ranzinza, muito brabo, muito emperrado.
Q26- O avô de Capiba está de pé e de braços cruzados. Ele é um senhor alto, magro, calvo, com cabelos lisos e médios nas laterais, bigode branco longo e nariz pontudo avantajado. Saem fumaças de sua cabeça.
Q27- Narrador: “E por essa época na zona de surubim, onde eu nasci, dava-se a Capiba o nome de burro, jumento”.
Mapa do estado de Pernambuco, indicando a cidade de Surubim à nordeste do estado, próximo a divisa com o estado da Paraíba.
Q28- Capiba: E como era muito brabo e emperrado, ficou chamado Capiba. E todos os descendentes dele são Capiba.
Capiba sorri com a mão apoiada no queixo.
Q29- Narrador: Ainda em 1904, a família se mudou três vezes.
Mapa do leste de Pernambuco indicando a mudança de Surubim para o Recife e de Recife para Carpina.
Q30 - Mãos tocam piano.
Q31- Capiba: A música foi, é e sempre será o motivo da minha vida.
Com as mãos nas teclas e a partitura aberta, Capiba está sentado de frente para o piano.
Q32- Narrador: Seu pai era orquestrador, arranjador, professor de música, cantor de igreja, clarinetista e vionilista.
Multiversátil, pai de capiba toca clarinete, apoia o violino no ombro, rege com baqueta, escreve partitura ... tudo ao mesmo tempo.
Q33- Narrador: Onze dos seus filhos tocavam algum instrumento.
Família de Capiba posa para foto. O pai e a mãe de Capiba, ao centro da foto, sentados em um sofá, acompanhados de uma irmã pequena entre eles. Um menino de gravata borboleta à esquerda e uma menina de vestido à direita completam o sofá. Ao redor do sofá, dois jovens meninos uniformizados, um de cada lado do sofá. Atrás do sofá, dois jovens adultos à esquerda, duas jovens moças ao centro e mais dois jovens adultos à direita.
Q34 a Q36- Capiba: Eu não gosto das minhas canções, quem gosta é o povo. Eu faço a música para o povo.
José Menezes: “É de amargar”. Essa música foi um sucesso muito grande nesse carnaval de 37.
Capiba fala com as mãos apoiadas no queixo. José de Menezes celebra ora com os dedos indicadores erguidos, ora com as mãos para o alto. Ao fundo, passam por eles a seguinte canção:”Não penses que estou triste, nem que vou chorar…”
Q37- Narrador: “Capiba foi o dono do carnaval naquele ano”
Capiba sai em carro, bradando seu chapéu alegremente e desfilando pelas ruas do Recife. A canção toca ao fundo: “Eu vou cair no frevo que é de amargar!”
Q38- Narrador: Iniciou na música ainda criança.
O pai de capiba, com expressão orgulhosa, apoia uma das mãos no ombro do jovem Capiba. Ele toca tromba enquanto sua mãe e sua irmã mais nova as observam de longe.
Q39- Narrador: Aos dezessete anos começou a tocar piano no cine fox, em Campina Grande.
Mapa do estado da Paraíba. Capiba montado em um jumento, levando consigo instrumentos musicais. Ele sai de Taperoá no interior do estado para Campina Grande, mais ao leste do estado.
Q40- Narrador: Em onze dias aprendeu sete valsa para substituir sua irmã Josefa…
No palco, o jovem Capiba toca piano. A platéia fica boquiaberta. Josefa observa assustada atrás das cortinas do palco.
Q41- Narrador: …Que estava de casamento marcado e não poderia mais trabalhar.
Josefa de braços cruzados, exprime um semblante furioso.
Q42- Capiba: A partir daquela noite, convenci-me da necessidade de fazer boa figura no cinema, embora fora da tela.
Q43- Narrador: Foi lá que também começou a jogar futebol. Atuou no Campinense e no América.
Capiba posa para foto com o time de futebol. O técnico e o presidente do clube, um à esquerda e outro à direita, posam de terno e chapéu de cartola. Ambos seguram bandeiras. O time é uniformizado com camisa de gola pólo escura, boné escuro, meiões escuros e bermudão claro.
Q44- Ainda uniformizado, Capiba olha amedrontado para o seu pai.
Pai de Capiba: Você e Antônio devem ir à capital em busca de um emprego.
Q45- Capiba engole em seco enquanto seu pai furioso fala.
Pai de Capiba: Não se envolva mais com música ou futebol…
Q46- Pai de Capiba: Estude para se tornar médico.
Mapa da Paraíba. Capiba se muda de Campina Grande para a capital João Pessoa.
Q47- Mãos seguram um telegrama. No verso a mensagem: cirurgia mal-sucedida. Pêsames
Q48- Jovem Capiba em lágrimas lê a carta.
Q49- Em uma mesa com o Porta-retrato da mãe, escreve uma partitura.
Q50- Narrador: Em João Pessoa Capiba tocou piano no Cine Rio Branco.
A platéia assiste ao filme de Charlie Chaplin no telão ao fundo enquanto Capiba toca piano no palco durante o filme.
Q51- Narrador: Fundou a Jazz Independência e uma orquestra de baile para o Clube Astrëa.
Capiba toca com banda de aproximadamente 14 integrantes, Eles trajam paletó e camisa brancas, acompanhados de calça escura e sapatos pretos.
Q52- E dirigiu diversas bandas carnavalescas financiadas por Oliver Von Sohsten.
Capiba adulto, agora com a idade mais avançada, começa a ficar corpulento e calvo. Ele está sentado e toca trombone.
Q53- Capiba agora é um senhor:
Capiba: Faria tudo de novo. Inclusive, me aprimoraria mais na música.
Q54- Capiba: Eu não tive tempo de me aprimorar em música porque trabalhei no Banco do Brasil durante trinta anos.
Q55- Capiba: E a gente não pode ser especialista em duas coisas, tem que ser numa só.
Q56- Narrador: Mudou-se para Recife quando passou no concurso do banco.
Mapa mostra o deslocamento saindo da capital da Paraíba, João Pessoa, para a capital de Pernambuco, Recife.
Q57- Capa do Jornal Diário de Pernambuco. Destaque para a coluna Artes e Artistas que diz o seguinte: Acaba de regressar do Pará o acadêmico de direito Lourenço Barbosa, inspirado musicista que sob o nome Capiba tem dado a lume composições que têm granjeado grande sucesso. No caráter de regente da Jazz-band Acadêmica, que se incorporou à embaixada estudantil [...] Foi ao Norte do país angariar donativos em favor da Casa do Estudante Pobre.
Q58 a Q64- Um cidadão engravatado clama por Capiba no meio da multidão.
Cidadão: CAPIBA! Fomos roubados!
No meio da multidão, Capiba levanta o dedo indicador propondo uma ideia.
Desfilam na rua, em meio ao bloco, quatro juízes engravatados e de cartolas. Eles páram de frente ao estandarte do Bloco Madeira do Rosarinho. A ala das baianas aponta para a direita. Letras erguidas por membros do bloco, em imponentes estandartes, formam o nome do bloco:MADEIRA.
A canção Madeira do Rosarinho toma conta do cenário: Madeira do Rosarinho… Vem à cidade sua fama mostrar… Queiram ou não os juízes, o nosso bloco é de fato campeão… E dizer bem alto que a injustiça dói. Nós somos madeira de lei que cupim não rói!
Q65- Narrador: Guerra-Peixe
Guerra-Peixe: Conheci o Capiba em 1949.
Q66- Guerra-Peixe: “Passei a considerá-lo o nosso compositor de música popular mais completo”.
Os jovens Capiba, Guerra-Peixes e outros dois amigos posam para a foto sorridentes;
Q67- Guerra-Peixe: “inspirando-se no cortejo real recifense de origem negra, estilizar o maracatú”.
Rei e Rainha do maracatú dançam embaixo de grande guarda-chuva ornado de flores. O valete, com uma espada na mão, acompanha o cortejo.
Q68- Guerra-Peixe: “Escreve frevo-canção, com o qual raro é o ano que não faz sucesso em todo o norte.”
Dançarino de frevo dá um longo salto sobre a multidão, erguendo o guarda-chuvinha de frevo.
Q69- A expressão de Guerra-Peixe fica mais firme. Apóia uma das mãos no peito.
Guerra-Peixe: O compositor Capiba não tem sido, fora do nordeste e do norte, ainda compreendido pelos intérpretes, editores e produtores de programas de rádio, etc.
Q70 - Guerra-Peixe: Sina de gênio, talvez, no mundo contraditório em que vivemos.
Cabisbaixo, Guerra-Peixe exprime um olhar triste.
Q71- Capiba, jovem adulto, de chapéu de aba, paletó escuro, óculos garrafais e bigodinho saliente, entra em disparada em uma sala de escritório. João Suassuna está sentado, escrevendo em papéis quando se assusta com a presença de Capiba.
Q72- Eles conversam.
Capiba: Eu caso com Zezita?
Q73- Capiba: “Zezita era minha eficiente secretária instrumentadora”.
Imagem de Zezita. Ela é mostrada até a altura dos ombros e exprime um olhar gentil, com um sorriso tímido e afetuoso.
Q74- João Suassuna fala com os braços cruzados sobre a mesa e com um olhar convencido.
João Suassuna: Ah! Meu velho, nessa não vou me meter não, que não sou bobo!
Q75- Com sorrisos e olhares afetuosos, Capiba, agora de terno branco e Zezita de vestido de noiva e buquê, unem os braços, de frente para o altar.
Padre: …Aceita Maria José da Silva…
Os convidados celebram a união gritando: VIVA OS NOVOS NOIVOS! VIVA!
Q76- Afastado dos recém-casados, João Suassuna, ri levando a mão à boca.
João Suassuna: “Acho que pela primeira vez na sua vida, tomou uma decisão sozinho, acertada, aliás.”
Q77- Narrador: Recife, 26 de novembro de 1971.
Fachada da igreja de Nossa senhora do Rosário dos Pretos, com sua icônica arquitetura colonial, com torre única à direita.
Q78- Narrador: Estreia do Quinteto Armorial.
A multidão se concentra no interior da igreja do Rosário. Destaque para o quinteto que se apresenta ao fundo, próximo do altar-mor.
Q79- Narrador: Concerto dedicado a Capiba. Multidão aplaude os músicos que tocam: Antônio Madureira, Edilson Eulálio, Antônio Nóbrega e José Tavares de Amorim.
Q80- A cantora Maysa, com seu rosto delicado e melancólico, cabelos longos escuros e vestido longo, canta ao microfone: A mesma rosa amarela…
Q81- Em cima do trio elétrico, Alceu Valença ergue o microfone para o alto, para que a multidão cante. Ele usa seu clássico óculos escuros de lentes redondas, cabelos cacheados soltos ao vento e colete escuro. Canta uma canção de Capiba: Você diz que ela é bela…
Q82- Lia de Itamaracá , de pele negra, cabelos em dreadlocks longos envoltos por faixa e vestido branco, canta ao microfone: Minha ciranda não é minha só…
Q83- Ney Matogrosso canta em microfone de estúdio. Ele é homem magro, careca, de pele clara. Abre um grande sorriso enquanto canta: Levo a vida em serenata…
Q84- Narrador: Em 1971 Capiba foi a São Paulo colocar duas pontes de safena no peito.
O velho Capiba está deitado em uma maca de hospital. Seus óculos repousam sobre a cabeceira.
Q85- Narrador: A cirurgia foi um sucesso.
Capiba alegre, levanta o seu chapéu para o alto no meio dos foliões. A música lhes envolve: De chapéu de sol aberto, pelas ruas eu vou! A multidão me acompanha, eu vou!
Q86- Narrador: Décadas depois descobriu um câncer de próstata.
Capiba conversa aflito com o médico, enquanto rói as unhas.
Q87- Capiba entra em um aparelho de ressonância magnética.
Q88- Narrador: Em dezembro de 1997 foi internado na UTI por conta de complicações.
Fachada do Hospital Jayme da Fonte.
Q89- Narrador: Faleceu no dia 31, aos 93 anos, em decorrência de uma falência múltipla de órgãos.
O velho Capiba falece, o corpo estirado com um semblante sereno.
Q90- Capiba: Eu queria ser vaqueiro.
Q91- Capiba: Eu achava bonito o boi correndo e o vaqueiro atrás.
Q92- Capiba: He he he!
Q93- Capiba: Hoje faço música.
Escreve uma partitura.
Q94- Capiba: Quanto tem tempo…
Q95- Capiba: … Cuido dos meus arquivos…
Capiba folheia documentos.
Q96- Capiba: …Seleciono algumas coisas para quando morrer…
Segura uma foto sua autografada.
Q97- Capiba: …Se prestar será usado…
Fica reflexivo com a mão no queixo.
Q98- Capiba: Se não prestar, bota no lixo.
Humorado, ergue as mãos para o alto.
Q99- Repórter e câmera entrevistam Capiba todo sorridente no meio dos foliões.
Repórter: Capiba, o carnaval desse ano tá tão animado quanto o dos outros anos?
Q100- Capiba: O carnaval desse ano tá melhor do que o dos outros anos.
Q101- Felizes, Capiba, cameraman e o repórter se imergem no meio do mar de gente.
Capiba: E o que virá ainda será melhor do que esse!
Q102- Capiba é levado pelo mar de gente que se forma das ruas do Recife. O carnaval na sua pluralidade, acolhe em braços estendidos o corpo de Capiba. A canção ecoa sobre os foliões: Não era peixe, não era… Era Iemanjá, rainha… Dançando ciranda, ciranda
Fim.